sexta-feira, 15 de abril de 2011
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
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Oração de Nietzche: Ao Deus desconhecido. LB
por Leonardo Boff
Muitos só conhecem de Nitzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial. Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basel na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá. Essa oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Por isso no final indico as fontes em alemão de onde fiz a tradução. No original, com rimas, é de grande beleza. LB
Oração ao Deus desconhecido
Antes de prosseguir no meu caminho
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.
Sobre esses altares está gravada em fogo
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.
u quero Te conhecer, ó Desconhecido!
Tu que que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.
Tu que que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.
Que sonhos orientam nossa vida? LB
Que sonhos orientam nossa vida?
26/03/2011
por Leonardo Boff
Que sonhos orientam nossa vida?
O que decide o destino de nossa vida é o sonho que alimentamos e o que fazemos para realizá-lo. Por isso os sonhos são da maior importância. Morrem as ideologias e envelhecem as filosofias. Mas os sonhos permanecem. São eles o húmus que permite continuamente projetar novos projetos pessoais novas formas de convivência social e de relação para com a natureza.
1.Qual é o nosso sonho do homem branco
Com acerto escrevia o cacique pele vermelho Seattle, ao governador Stevens, do Estado de Washington em l856, quando este forçou a venda das terras indígenas aos colonizadores europeus. O cacique, com razão, não entendia por que se queria comprar a terra e com ela, a aragem, o verde das plantas e o esplendor da paisagem. Neste contexto refletia que os peles vermelhas compreenderiam o por quê e a civilização dos brancos “se conhecessem os sonhos do homem branco, se soubessem quais as esperanças que transmite a seus filhos e filhas nas longas noites de inverno e quais as visões de futuro que oferece para o dia de amanhã”.
O que o cacique sequer imaginava é que o homem branco no lugar do sonho, esperanças e visões havia colocado a vontade de dominação da Terra e das pessoas, as máquinas, os bancos, os computadores, as armas de destruição em massa, isto é, projetos que implicam a devastação da natureza e da vida.
Hoje o que urgentemente precisamos não é de mais ciência e de mais técnica para aumentar nossa dominação da natureza e com isso fazer crescer nossa riqueza, especialmente, nas bolsas e nos mercados especulativos. O que precisamos, de verdade, sem dispensar a ciência e a técnica, é de um sonho bom que possa galvanizar as mentes e nos levar a práticas inovadoras.
Então: qual é o nosso sonho? Que esperança transmitimos aos jovens? Que visões de futuro ocupam as mentes e o imaginário coletivo através das escolas, dos meios de comunicação, da internet, dos facebooks, dos twitters e de nossa capacidade de criar valores?
Então: qual é o nosso sonho? Que esperança transmitimos aos jovens? Que visões de futuro ocupam as mentes e o imaginário coletivo através das escolas, dos meios de comunicação, da internet, dos facebooks, dos twitters e de nossa capacidade de criar valores?
As respostas a estas indagações geram um novo padrão civilizatório, radicalmente diferente daquele vigente. Descendo ao concreto do dia-a-dia, face às transformações que atingem os fundamentos de nossa civilização atual indagamos: Quais são os atores sociais que propõem um novo sonho histórico e desenham um novo horizonte de esperança?
2. Quem vai realizar os sonhos?
Quem são os sujeitos coletivos, construtores da nova civilização? Sem detalharmos a resposta podemos dizer que eles se encontram em todas as culturas e em todos os quadrantes da Terra. Eles irrompem de todos os estratos sociais e de todas as tradições espirituais. Eles estão em todas as partes.
Mas principalmente são os que se sentem insatisfeitos com o atual modo de viver, de trabalhar, de sofrer, de se alegrar e de morrer, em particular, os excluídos, oprimidos e marginalizados. São aqueles que, mesmo dando pequenos passos, ensaiam um comportamento alternativo e enunciam pensamentos criadores. São ainda aqueles que ousam organizar-se ao redor de certas buscas, de certos níveis de consciência, de certos valores, de certas práticas e de certos sonhos, de certa veneração do Mistério e juntos começam a criar visões e convicções que irradiam uma nova vitalidade em tudo o que pensam, projetam, fazem e celebram.
Por tais sendeiros desponta a nova civilização que será de agora em diante não mais regional, mas coletiva e planetária, e esperamos, que signifique a superação histórica do atual capitalismo na sua forma neoliberal e globalizada e, por isso, mais solidária, mais ecológica, mais integradora e mais espiritual.
3.A civilização da re-ligação
Que nome vamos dar ao novo que está emergindo? Ensaiamos uma resposta: será uma civilização mais sintonizada com a lei fundamental do universo que é a interconexão de todos com todos, a sinergia e a complementaridade, valores sistematicamente negados pela cultura do capital, profundamente individualista. Será, numa palavra, a civilização da re-ligação de tudo com tudo e de todos com todos. Por isso será uma civilização que dará centralidade à re-ligião, não simplesmente como uma instituição consagrada, mas como uma espiritualidade. O que se opõe à religião não é a irreligão ou o ateismo. É a falta de conexão, o sentir-se perdido neste mundo. Entendo aqui a re-ligião em seu sentido originário e não confessional como aquela instância que se propõe a criar uma centralidade no ser humano, a re-ligar todas as coisas entre si porque percebe o Todo uno, diverso e complexo e o vê re-ligado ubilicalmente à Energia de Fundo que sustenta o inteiro universo e que podemos chamar também de Fonte Originária de todo Ser.
Esta civilização será re-ligiosa e espiritual ou não será. Deverá ser aquela experiência radical que consiga re-ligar todas as coisas e gestar um sentido de totalidade e de integração. Então poderá surgir a civilização da etapa planetária, da sociedade terrenal, a primeira civilização da humanidade como humanidade.
Sentir-nos-emos todos enredados numa mesma consciência coletiva, com um sentido concreto de cuidado de nossa Mãe Terra, assumindo uma mesma responsabilidade comum, dentro de uma mesma e única arca de Noé que é a nave espacial azul-branca, a Casa Comum. Esta nova civilização não é apenas um desiderato e um sonho ridente. Ela está em curso. Está madurando. Como disse um pensador francês:”nada mais poderoso do que uma idéia que chegou a sua hora de realização”. A hora poderá demorar, mas virá.
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